“Na era pós digital o futuro é como um trem bala: basta um instante para que um vulto distante se transforme em uma força que atropela em alta velocidade”

Walter Longo – Especialista em Inovação e Transformação Digital

Vamos conversar um pouquinho sobre essa era digital, para alguns, já chamada de Pós-Digital.

Quando falamos sobre esse momento em que estamos vivendo, a sensação que temos é semelhante a da Dorothy, em O Mágico de OZ:

10 curiosidades surpreendentes sobre o filme “O Mágico de Oz ...
“Totó, acho que não estamos mais no Kansas.”
Dorothy, em O Mágico de OZ

Temos dificuldade de reconhecer que ambiente é esse que estamos vivendo. Uma sensação de que em casa não estamos mais e precisamos, de alguma maneira, nos movimentar.

Walter Longo

Para Walter Longo, “a era pós-digital é como uma estrada cheia de curvas em que é preciso combinar velocidade e cautela, atenção ao presente e visão de futuro, adaptabilidade e constância“. Ele continua, esclarecendo que “temos que atentar para uma visão de curto prazo e deixarmos de estar focados apenas em resolver pendências sem olhar tendências.”

Em um contexto em que estamos, se perdermos a capacidade de perceber as tendências, vamos perder a oportunidade de fazer um trabalho efetivo.

Mauro Segura – ex-líder de marketing
e comunicação na IBM Brasil

Para Mauro Segura – ex-líder de marketing e comunicação na IBM Brasil – “o sucesso de todos nós, profissionais de marketing e comunicação, dependerá da nossa capacidade de entrar nesse novo mundo. Dependerá de sairmos do nosso networking tradicional, com os mesmos de sempre, da patotinha que fica olhando o retrovisor e fazendo o pãozinho quente da padaria, e procurar novas tribos. Dependerá da nossa capacidade de articular e nos conectarmos com profissionais completamente diferentes da gente em todos os aspectos, que nos agregam novos conhecimentos e experiências, que nos geram desconforto, e mesmo assim trabalhar com eles para um objetivo comum.” Para ele, a sensação é que é “a hora de pular do precipício”.

Então, que história é essa? Agora é tudo 1.0, 2.0, 3.0…. 4.0. Do que estamos falando realmente? Que mundo é esse?

O mundo 4.0

Para entender porque usa-se números para falar desse momento que estamos vivendo, temos que voltar um na história. Desde a 1ª revolução industrial, que seguiu com 2ª, 3ª e 4ª. Vejamos essa timeline:

Fonte: Portal da Indústria

A 1ª revolução industrial foi a época do início das máquinas a vapor que impulsionaram o crescimento da indústria têxtil e de ferro. A 2ª revolução industrial é marcada por avanços na indústria qumíca, elétrica, de petróleo e de aço que permitem invenções como o navio a vapor, a prensa móvelm, a energia elétrica, o telefone… Já a 3ª revolução industrial, é o período entre o pós-guerra e a virada do milênio, com transformações profundas na produção e pela rapidez do desenvolvimento de novas tecnologias, sendo uma das mais importantes delas, a internet.

A 4ª revolução industrial, teve seu conceito criado em 2011 pelo alemães. Ela se refere às chamadas fábricas inteligentes que reúnem inovações tecnológicas em automação, controle e tecnologia da informação para aprimorar os processos de manufatura. Inteligência Artificial, Aplicativos, um processo muito mais interativo e conectado.

Algo importante para se observar é a velocidade de mudança entre as revoluções, vejam que entre a 3ª e a 4ª Revolução é bem menor em relação às outras.

Da Revolução Industrial à Indústria 4.0

Fonte: Blog da IBM

A Indústria 4.0 surgiu muito associada à Fábricas Inteligentes e trazem muitas questões com ela. Sendo uma delas, quais profissões podem ser substituídas dentro de um processo como esse. Várias mudanças sociais. Nesse caso, focaremos em como está mudando o perfil do consumidor, para os mercados e, consequentemente, para o profissional de Marketing.

Nesse contexto, não há apenas as revoluções industriais, exitem outros momentos numéricos. Por exemplo, “a revolução da web”.

  • Web 1.0 – Estruturada: Sites de conteúdo estático com pouca interatividade, diretório de links.
  • Web 2.0 – Colaborativa: Web participativa, blog e chats, mídias sociais, conteúdo produzido pela interação. (Orkut, por exemplo)
  • Web 3.0 – Semântica: Informações em rede, portabilidade e aplicativos, resultados mais precisos.
  • Web 4.0 – Inteligente: Sistema Inteligente e dinâmico. Inteligência Artificial.

Diante de tantas revoluções, o marketing como depende fortemente de todas as características do mercado e do perfil do consumidor, também vem mudando e já estamos no Marketing 4.0.

Quando pensamos no mercado como um todo, com o Marketing 4.0, 4 letrinhas aparecem para representar esse momento: VUCA

Volatilidade (volatility), Incerteza (uncertainty), Complexidade (complexity) e Ambiguidade (ambiguity).

Aquilo que ontem estava posto, hoje não está mais. Temos apenas a certeza da mudança.

Tudo é muito complexo nesse mercado em todos os sentidos.

Em termos de produtos e serviços, começam a surgir coisas que não imaginávamos há um tempo. Por exemplo: Uber, Netflix, Airbnb, Booking.com, Apple, Amazon…

O mercado começou a falar que produtos para terem sucesso nesse novo cenário precisam ser: disruptivo, inovador, com inteligência artificial, big data, internet das coisas, design thinking, colaboração… Esse mercado pede que novos produtos surjam para conseguir dar resposta à esse consumidor que mudou.

Quem são os públicos?

Os consumidores mudaram. O público não é mais passivo, é um público ativo. Muitas empresas falam que agora não tem mais o “controle” sobre as informações, porém, a frase de Jay Baer, resume bem o papel das marcas nesse novo cenário: “Tenho visto uma certa epidemia do medo de “pder o controle” da marca online, quando, na verdade, você tem controle sobre as mesmas únicas coisas que sempre teve a forma como você apresenta seu negócio e como age.”

O que vemos é que essa questão dos consumidores estarem num mundo digital, ou pós-digital, extremamente conectado trazem impacto nessa relação entre marcas e consumidores. Marketing está diretamente ligado ao relacionamento entre às marcas e às pessoas. Então se essas pessoas mudam, meu jeito de se relacionar com essas pessoas também precisa mudar.

Os 4Ps, os 7Ps, os 8Ps continuam valendo. Porém o processo que era vertical, exclusivo e individual, passou a ser horizontal, inclusivo e social.

Os diferentes consumidores, ou potenciais consumidores, têm uma sensação muito maior de pertencimento. Há possibilidade de cocriação e coopetição, há exemplos de consumidores participarem desde a concepção de produtos, muito mais do que uma pesquisa de mercado. Uma participação muito mais ativa, com relações entre organizações e consumidores cada vez mais baseadas em confiança.

Vejamos um vídeo produzido pela NeoAssist que mostra os atributos do novo consumidor.

Nesse vídeo vemos sobre a Conectividade. Sim, está todo mundo conectado e em diferentes plataformas e ao mesmo tempo. O novo consumidor já acredita na segurança de fazer compras online, ele sabe escolher o que dói menos no bolso e é bombardeado com um número de informações gigantecas.

Vejamos mais alguns vídeos relacionados ao tema:

O próximo vídeo foi produzido pela Deloitte e mostra como foram as revoluções da indústria até chegar a Indústria 4.0.

A indústria 4.0 é caracterizada pela integração das diversas tecnologias,tanto físicas quanto digitais. Estamos falando do ponto de vista de Analytics, de computação cognitiva, de robótica, IoT. Todos esses conjuntos que fazem a transformação para a indústria 4.0.

O vídeo apresenta uma pesquisa realizada com 1600 executivos C-level (sendo 16% CEOs) em 19 países.

O próximo vídeo foi produzido pela CNI e apresenta alguns conceitos da indústria 4.0 que já fazem parte do nosso dia a dia. Entre eles Internet das Coisas, BigData e Impressora 3D.

O próximo vídeo foi produzido por Gerd Leonhard e traz uma visão futurista da transformação digital.

E o que será da Indústria, do Mercado e do Marketing com tudo o que vem acontecendo no mundo com os desafios que apareceram com o Coronavírus?

A única certeza é que tudo está mudando, e rápido.

Observações: Esse texto foi escrito com base em anotações na aula sobre Entendendo o Marketing: introdução e conceitos relevantes da Professora Madelon Piana, do curso de Marketing Digital – Estratégias e Negócios da PUC Minas.

Fernando Carvalho

Fernando Carvalho

Graduado pela Universidade de Brasília - UnB, pós-graduado em Administração de Empresas, possui MBA em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas - FGV e atualmente cursa Especialiazação em Marketing Digital: Estratégias e Negócios, na PUC Minas. Fernando tem bastante experiência na Gestão de Projetos Digitais. Mora em Brasília e atua como COO (Diretor de Operações) da EduQC, startup brasileira de Educação e Inteligência Artificial.